Interventores na transição pós-Estado Novo (1945-1947): o elo perdido da descentralização limitada?

O estudo dos interventores nos estados no período de 1945 a 1947 tem sido negligenciado pela historiografia, sobretudo acerca da redistribuição de poder na Federação. Este artigo emprega análise contextual e prosopografia para discutir a influência da transição pós-Estado Novo na descentralização limitada de autoridade administrativa e fiscal verificada naquele período. Destacam-se três fatores que contribuíram para esse resultado: a sequência do processo de descentralização, com a eleição dos governadores após o redesenho da Federação pela Constituinte de 1946; a imposição de neutralidade aos interventores, com fiscalização da imprensa e dos responsáveis pelas indicações; e o perfil dos interventores, uma elite posicional com relativa desconexão das comunidades estaduais.

Palavras-chave:
Descentralização; Redemocratização de 1945; Democracia de 1946; Interventores; Governo Linhares; Governo Dutra