Eleitor pobre, lugar pobre, eleitor “vermelho”? Análise das bases eleitorais do PT a partir de Porto Alegre
Uma boa votação em um estado, município ou bairro rico implica maior apoio entre eleitores ricos? Avaliamos esta questão a partir do desempenho eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) em Porto Alegre/RS. Por meio de um banco de dados original que contém resultados de mais de 20 anos de disputas eleitorais ao Executivo (municipal, estadual e nacional) e variáveis socioeconômicas ao nível de urna, localizadas em Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH) - agrupamentos territoriais internos à cidade com base na semelhança de características sociais -, avaliamos algumas hipóteses gerais da literatura sobre o Brasil acerca da relação entre classe social e voto, e outras específicas derivadas da tese do realinhamento eleitoral. Em primeiro lugar, demonstramos que o voto petista desde 1996 esteve associado às urnas mais pobres da capital gaúcha. Quanto mais pobre a urna, maior o voto no PT mesmo antes de assumir governo federal ou estadual. Em segundo lugar, utilizando modelos multinível, demonstramos que o contexto importa: a renda mais baixa é mais importante em regiões mais ricas da cidade. Essas relações, no entanto, alteraram-se nos pleitos municipais mais recentes. Além de contribuir para o debate sobre realinhamento, em termos metodológicos, o estudo inova ao analisar a interação de fatores geográficos no desempenho eleitoral dos partidos brasileiros.
Palavras-chave:
Classes sociais e voto; modelos multinível; Porto Alegre; Partido dos Trabalhadores
